Por que seguir um rio?
Porque o Capibaribe não é só geografia: é o fio que costura o interior à capital. Nasce no Agreste, atravessa dezenas de municípios e chega ao coração do Recife — e, no caminho, carrega histórias de seca e cheia, de feira e mangue, de infância e trabalho.
Cantado por Manuel Bandeira e percorrido por João Cabral de Melo Neto em O Cão sem Plumas, o Capibaribe é um dos rios mais simbólicos do Brasil. Mas a Jornada da Água não quer repetir o rio da literatura: quer escutar o rio de quem vive dele e com ele hoje — o agricultor da nascente, a lavadeira, o feirante, o pescador, a marisqueira do estuário, a criança que aprende a nadar, o morador que viu o rio mudar.
A pergunta que orienta o projeto é simples e profunda: o que a água conta sobre Pernambuco quando a gente para para ouvir?
Do interior à foz
No Agreste, a água é o bem mais precioso e mais disputado. Açudes, cacimbas e barreiros organizam a vida, e a paisagem seca guarda uma economia inteira em torno do leite, do queijo e da criação.
Rio abaixo, o Capibaribe chega ao Recife e se transforma. Vira estuário, encontra o mangue, atravessa a cidade grande e desemboca no mar, junto ao Recife Antigo. É outro rio — urbano, adensado — mas ainda cheio de vida e de gente que dele depende.
Os saberes da água
Ao longo do percurso, a Jornada registra quem produz e mantém viva a cultura alimentar ligada à água. No Apiário São José, o mel conta a relação entre abelha, flor, mata e trabalho paciente.
Na Ilha de Deus, comunidade ribeirinha cercada por mangue dentro do Recife, a mariscagem é ofício, sustento e patrimônio. As marisqueiras conhecem o ritmo da maré como ninguém.
Eixos temáticos
Seis fios que se cruzam ao longo da jornada:
- Água — abundância, escassez, seca, cheia, açude, cacimba, encanamento, estuário.
- Trabalho — agricultura, pesca, mariscagem, feira, lavagem de roupa, ofícios ribeirinhos.
- Infância — o rio como primeiro território de brincadeira, medo, aprendizado e memória.
- Alimentação — o que o rio dá de comer e como isso organiza a vida das famílias.
- Cidade e natureza — o encontro (e o conflito) entre o rio e a urbanização.
- Pertencimento — o que significa ser de um lugar banhado por este rio.
O que pretendemos fazer
- Expedições ao longo do rio — da região da nascente, no Agreste, até a foz no Recife, com paradas em cidades, comunidades rurais, feiras e áreas de mangue.
- Registro audiovisual e fotográfico — paisagens, modos de trabalho, técnicas, alimentos e cenas de vida cotidiana ligadas à água.
- Escuta e memória oral — entrevistas com moradores, trabalhadores e mestres de saber ao longo do percurso.
- Pesquisa histórica e territorial — o rio como personagem da formação de Pernambuco.
- Cultura alimentar como lente — do feijão de vazante ao marisco do estuário.
- Devolutiva às comunidades — exibições comunitárias, rodas de conversa e materiais que retornam aos territórios visitados.
Produtos e resultados esperados
- Série documental em vídeo (episódios curtos por trecho do rio);
- Ensaio fotográfico e acervo digital organizado e acessível;
- Páginas do Diário do Território dedicadas a cada parada da jornada;
- Caderno pedagógico para uso em escolas e projetos educativos;
- Exposição e rodas de conversa com devolutiva nas comunidades participantes.
Para financiadores e parceiros
A Jornada da Água está em fase de estruturação para submissão a editais de cultura, patrimônio, educação e meio ambiente. O projeto une pesquisa cultural, registro audiovisual, educação patrimonial e devolutiva comunitária, com uma década de relações de campo já construídas pelo Empório Pernambucano. Instituições interessadas em apoiar, cofinanciar ou receber ações do projeto podem entrar em contato.
Quem realiza
O projeto é realizado pelo Empório Pernambucano — plataforma de cultura alimentar, memória e território fundada por Laysa e Igor em 2015 —, somando experiência em pesquisa de campo, comunicação cultural, produção de conteúdo e relação direta com produtores e comunidades de Pernambuco.