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Descida de rapel sob a grande laje de pedra da Serra do Pará

Diário do Território · Nº 01 · Agreste

Serra do Pará

Em Santa Cruz do Capibaribe, uma serra de pedra e caatinga guarda registros deixados por povos que viveram ali milhares de anos antes de existir Pernambuco.

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A serra é referência de paisagem, clima e pertencimento para quem vive ao seu redor — e um mirante natural que ajuda a entender, com os olhos, a geografia que os livros descrevem.

O lugar

A Serra do Pará fica na zona rural de Santa Cruz do Capibaribe, cidade conhecida nacionalmente pelo polo de confecções — mas que guarda, a poucos quilômetros do burburinho das sulancas, um dos conjuntos de paisagem natural e memória ancestral mais impressionantes do Agreste.

Do alto, avista-se o mar de caatinga que se estende em direção ao Sertão. É o relevo que segura a chuva, o vale por onde corre o Capibaribe ainda jovem, a transição entre Agreste e Sertão — tudo num só olhar.

Vista do alto da Serra do Pará, com a paisagem do Agreste ao fundo
Do mirante natural, a caatinga se abre em direção ao Sertão

A caatinga e o clima

A caatinga é o único bioma exclusivamente brasileiro, e na Serra do Pará ela se mostra em seus dois humores: cinza e retorcida na estiagem, explosivamente verde depois das primeiras chuvas. Xique-xique, macambira, mandacaru, umbuzeiro, angico — cada planta é uma tecnologia de sobrevivência à seca, e cada uma alimentou, curou e abrigou gerações de sertanejos.

O clima semiárido, com chuvas concentradas em poucos meses do ano, organizou historicamente a vida ao redor da serra: o plantio de ciclo curto, a criação de gado e de bode, a relação profunda com açudes, cacimbas e barreiros. Entender esse ritmo da água é entender o modo de vida do Agreste.

Laysa e Igor sentados no paredão de pedra, entre bromélias da caatinga
Bromélias-de-pedra agarradas à rocha: a vida que resiste na pedra nua

As pinturas rupestres

O que torna a Serra do Pará excepcional é seu conjunto de pinturas rupestres: figuras traçadas nas rochas por povos originários há milhares de anos. Segundo a placa do Monumento Natural, mantido pela Prefeitura de Santa Cruz do Capibaribe, são pinturas da tradição agreste, em sua maioria representando seres estáticos, humanos ou animais — e há consenso entre os estudiosos de que a maior parte possui datação entre 9 mil e 11 mil anos, estando entre as mais antigas do Nordeste.

Laysa diante do paredão com as pinturas rupestres vermelhas da Serra do Pará
As figuras em vermelho permanecem visíveis nos paredões e abrigos de pedra

Essas pinturas fazem uma pergunta que atravessa todo o trabalho do Empório: quem esteve aqui antes de nós, e o que quis nos contar? Elas lembram que o território não começa com a cidade, nem com o engenho, nem com a feira — e que a memória de Pernambuco é muito mais funda do que os quinhentos anos dos livros escolares.

Por que este lugar entra no Diário

A Serra do Pará reúne, num só ponto, os fios que a plataforma investiga: paisagem, clima, água, memória ancestral, saber popular e pertencimento. E fica no caminho do Capibaribe — o que a conecta diretamente à Jornada da Água.

A expedição

Subir a serra é também um ato coletivo. Nossa equipe percorreu as trilhas sinalizadas — Caverna, Pico do Cruzeiro, Pinturas Rupestres — registrando a paisagem, escutando quem conhece o lugar e fotografando cada camada dessa história.

A equipe do Empório de chapéu de couro, sob o cruzeiro da serra
A equipe no Pico do Cruzeiro, ponto mais alto da serra

O que ainda queremos registrar

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